Por Gabi Barboza

Sobre a dificuldade que é o amadurecer após um “não amor”

Naquele dia, ganhei um presente. Não foi esperado. Namorado. Daqueles que a gente fica olhando a vitrine ou o site e fica pensando no quanto vai combinar com a gente. Esse presente foi muito diferente. Ele não veio embalado em papel, nem com cartão, lacinhos e abraços. Foi um presente da vida. Veio com tristeza, lágrimas, decepção e aprendizado árduo. A escola da vida, às vezes é amarga, mas ensina pra sempre. E o que aprendemos, seja na alegria ou tristeza, calmaria ou tempestade, ninguém tira de nós.

Depositar esperanças em alguém e não ser correspondida dói, mas ensina a ter amor próprio. É esse amor que nos faz analisar bem as próximas escolhas. É o amor próprio que faz você perceber que a pessoa não te valoriza, que mente, engana e está só se divertindo com você. É o amor próprio que te faz ver que a relação está indo por um caminho diferente do que deveria. Que te faz mais chorar que sorrir. Que te deixa insegura. Que não tem mais o mesmo brilho que um dia teve.

Cada choro, mentira e esperança que se foi após o término do relacionamento, me fez crescer. Foi um presente doloroso e nada esperado. O “pra sempre” se desfez com a mesma rapidez de um abrir e fechar de olhos. Talvez já estivesse se desfazendo e eu não quis enxergar – era mais fácil fingir que ia ficar tudo bem, enquanto o castelo se desmoronava.

Antes de experiências ruins, achamos que será pra sempre. Quando termina, passamos dias e dias chorando, comendo chocolate e deprimidas. Não é fácil passar por um rompimento de relação que apostávamos muitas fichas.

Mas é a partir daí que decidimos seguir a vida, ou, optamos pelo pior caminho: apertar a tecla ‘ESC’ e tentar reatar o relacionamento. Nos humilhamos. Deixamos o orgulho de lado. Imploramos que tudo volte ao normal. Esquecemos o mundo ao nosso redor e acreditando não ser possível viver sem aquela pessoa, abrimos mão do nosso respeito em busca do “amor de volta”. Mas não tem amor de volta. Nunca teve amor.

Tinha num máximo uma afeição. Onde tem amor, o respeito permanece. Onde tem amor, apesar dos choros, das tristezas e dificuldades, as pessoas continuam lado a lado. Aí está a justificativa para não querer apertar o “play”. Se acabou, acabou. Não há o que fazer. Não tente voltar pra algo que não deu certo. Não dê murros em ponta de faca.

Aprender a nos valorizar, é aceitar que relacionamento sadio, é aquele que faz bem à ambos. Se um não quer, dois não brigam nem se abraçam! Basta um não querer, pra que o outro, tendo amor próprio, saiba sair do relacionamento e seguir a vida. Se a pessoa não quer mais, é o fim. Simples assim.

Não há motivos para querer manter alguém ao seu lado, se esse alguém decidiu não estar mais ao seu lado. Amadurecer quando o assunto é relacionamento, dói. Implica em aceitar o “tchau” do outro e seguir em frente.

Dói ver as esperanças se esvaindo, transformando-se em ilusões amargas, os sonhos escorrendo por entre os dedos. Dói ver que tudo que um dia foi falado a dois, em meio a sorrisos, acabou. Dói perceber que era tudo palavras vazias. Dói o sentimento de “estar sozinha” no mundo. Tudo isso dói. Mas traz experiência. Nos torna mais fortes.

E naquele dia, foi esse o meu presente. O castelo desabando. Presente não esperado, não pedido, não sonhado. Mas me amadureceu, me fez entender que amor traz mais sorrisos que choros. Soube aproveitar bem o aprendizado. E hoje, graças a esse presente, posso ajudar outras mulheres a perceber se estão em algo que valha à pena ou não. Posso desfrutar de um amor com parceria.

E caso algum dia, eu note que esse amor, também não era amor, saberei o que fazer. Essa é a segurança que esse tipo de amadurecimento traz. A segurança de podermos nos reinventar, apesar dos sonhos e planos a dois frustrados.

TEXTO DEGabi Barboza
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