Augusto Cury, um dos autores de maior sucesso de Língua Portuguesa com mais de 30 milhões de livros vendidos em todo o mundo, esteve no passado domingo na Feira do Livro de Lisboa a convite do Grupo Bertrand Circulo.

Decidi ir ao seu encontro e realizar uma entrevista, conversar sobre vários assuntos e em particular sobre o seu mais recente livro que chegou às livrarias portuguesas em abril.


“O Homem Mais Inteligente da História”, uma obra de ficção, conta a jornada épica de Marco Polo, um cientista ateu, que é desafiado a estudar a inteligência do homem mais fascinante da história – Jesus Cristo – à luz das ciências humanas.

Este livro é o resultado de um processo de escrita de 15 anos e de 20 anos de pesquisas e estudos por parte do autor, que quando iniciou este trabalho era ateu e hoje é cristão.

Cláudio Anaia (CA) – Tendo em conta que o tema central dos seus livros é a gestão da emocional, qual é a sua opinião acerca da sensibilidade da população mundial para este tema nos dias de hoje?

Augusto Cury (AC) – A Humanidade está adoecendo rápida e colectivamente, ela se tornou excessivamente cartesiana e racionalista, e não desenvolve gestão da emoção como a histeria e com profundidade. Sem gestão da emoção, ricos se tornam miseráveis, casais começam um relacionamento no céu do afecto e o terminam no inferno dos atritos. Gestão é vital para sobrevivermos nesta sociedade altamente estressante e competitiva.

CA – Qual é a relação entre o autor Augusto Cury e Marco Polo, de “A Saga de um Pensador”?

AC – Tem muita relação, na verdade eu sou Marco Polo, eu uso o personagem para falar das aventuras, das dificuldades, da capacidade de se reinventar e de escrever os capítulos mais importantes de sua vida, nos momentos mais difíceis da sua história.

CA – Então podemos dizer que Augusto Cury é também Marco Polo?

AC – Exactamente. Começou com “A Saga de um Pensador” e depois passou pelas “Armadilhas da Mente”. Agora no livro “ O Homem mais inteligente da história”.

CA – Os seus livros têm também um carácter pedagógico, como desenvolvimento da sociedade, em especial para os jovens, na formação de uma consciência crítica e gestão inteligente das suas emoções. Certo?

AC – Certo. Até porque infelizmente nós estamos formando repetidores de informação em massa e não pensadores. Infelizmente a educação mundial está doente, formando pessoas doentes para uma sociedade doente. Por incrível que pareça, nós bombardeamos o córtex cerebral das crianças, de 6-7 anos de idade até à universidade com milhões de dados sobre o mundo em que estamos, mas não oferecemos ferramentas para que elas possam pilotar a aeronave mental e conhecer o mundo em que somos, o mundo em questão. Portanto, essa educação está fadada ao fracasso.

Mesmo as melhores universidades, elas estimulam os seus alunos a conhecer competências técnicas, mas nãos os estimulam a proteger a sua emoção, gerenciar a sua ansiedade, trabalhar perdas e frustrações, e se tornarem autores da sua própria história. Portanto, nós precisamos mudar a era.


CA – Portanto, as crianças desde os 6 anos à universidade são manipuladas pela sociedade?

AC – Elas não são manipuladas. Elas são bombardeadas com informações sobre milhões de dados, sobre o mundo em que nós estamos. O problema é que nós não oferecemos ferramentas para que o Eu delas, que representa a consciência crítica e a capacidade de escolha, pilote a aeronave mental. Então, elas se tornam meninos com diploma nas mãos. Não sabem lidar com contrariedades, com perdas, não sabem se reinventar no caos e não sabem proteger a sua emoção. E isso é uma falha educacional dramática.

CA – Já li alguns livros seus, conheço o Dr. Augusto Cury desde os tempos, em que o primeiro livro era o “O futuro da humanidade: a saga de Marco Polo”, lá no Brasil. Um dos livros que eu acho que é muito importante, que não é muito falado, é “A Ditadura da Beleza”, onde foca a questão das aparências e da imagem, como um dos principais factores de desequilibro da sociedade actual. É isso? 

AC – Bom, você tem toda a razão. “A Ditadura da Beleza” é um livro importantíssimo, pouco falado. Nós estamos com 70 milhões de pessoas com anorexia e bulimia nervosa, no mundo todo, dos quais a maioria são mulheres jovens. Aqui neste país, há centenas de milhares de mulheres que se martirizam diante dos espelhos e elas deveriam aprender que beleza está nos olhos de quem vê e não é patrocinada pela media, pelo cinema, pela televisão e assim por diante. Mas infelizmente o padrão tirânico de beleza imposto pela indústria de consumo tem levado, no inconsciente colectivo, as mulheres serem verdadeiras escravas vivendo em sociedades livres. Beleza não pode ser vendida, comprada ou comparada. Beleza está nos olhos de quem observa, está nos olhos de quem entende que o Eu pode ser autor da própria história.

CA – Dr. Augusto Cury, tem uma coisa muito interessante, nós somos católicos, o senhor consegue entrar no meio de católicos, evangélicos, espiritas…

AC – Ateus.

CA – Exactamente. Por aquilo que eu sei, se converteu ao cristianismo. Certo?

AC – Eu fui um dos maiores ateus que pisou nessa terra. (CA – “É o Marco Polo!” AC – “É o Marco Polo”.). Depois que eu estudei a mente de Jesus sob os ângulos da ciência, eu me curvei aos pés da sua inteligência e percebi que ele não cabe no imaginário humano e nenhum autor conseguiria construir um personagem com as suas características de personalidade. Ele fez poesia no caos, ele formou mentes brilhantes a partir de mentes toscas, ou seja, de alunos completamente com um currículo emocional autodestrutivo, que eram os seus discípulos, seus alunos. A partir daí me tornei um cristão sem fronteira e um ser humano sem fronteira, eu não defendo uma religião e acho que um ser humano só é digno da maturidade quando respeita os diferentes.

CA – No livro “O Homem mais inteligente da história”, publicado recentemente, traça o perfil psicológico como Jesus gestor de emoções. Acha que o exemplo de Jesus é fundamental para o ser humano?

AC – É vital. E infelizmente todas as religiões falharam, bem como as universidades erraram dramaticamente em não ter estudado o personagem mais importante da história, sob os ângulos da ciência. Ele foi sobredotado emocionalmente. Ele conseguiu proteger a sua emoção de maneira tão incrível e inteligente, que as suas técnicas se fossem aplicadas hoje poderiam causar impacto social sem precedentes e evitar inclusive milhares de suicídios anualmente. Por exemplo, Ele doava-se diminuindo a contrapartida do retorno – primeira ferramenta; Número 2: Ele sabia que por detrás de uma pessoa que fere há uma pessoa ferida; Número 3: Ele entendia que a vingança alivia um minuto, enquanto o perdão inteligente alivia uma história; Número 4: Ele não era um agiota da emoção, Ele não se doava e cobrava excessivamente, pelo contrário, Ele se doava e era tolerante, generoso e altruísta. Portanto, Ele conseguiu fazer dos momentos mais difíceis da sua história, os capítulos mais importantes de sua vida. Por isso leiam o livro “O Homem mais inteligente da história”.

CA – O Dr. Augusto Cury foca muito a questão emocional. Qual a estratégia, na sua opinião, para o combate à chamada epidemia do século XXI, que muitas vezes fala?

AC – A epidemia do século XXI é grave. Duas coisas têm-me tirado o sono, em relação a essa epidemia. Número 1: Estamos diante da geração mais triste de todos os tempos, embora tenhamos a maior indústria de lazer da história; Número 2: Estamos diante da geração mais doente emocionalmente de todos os tempos, embora a medicina, a psiquiatria e a psicologia tenham dado um salto sem precedentes. Uma em cada duas pessoas deve desenvolver um transtorno psiquiátrico; Mais de 3 biliões de seres humanos, metade da população da Europa, das Américas, do Oriente, uma em cada duas pessoas. O número é assombroso. Por isso nós estados desenvolvendo técnicas de prevenção vitais. E essa estratégia está no programa Escola da Inteligência, que é o primeiro programa mundial de gestão da emoção para crianças e adolescentes, o primeiro programa mundial de prevenção de transtornos emocionais e gerenciamento da ansiedade e o maior programa da actualidade de educação socioemocional:

www.escoladainteligencia.com.br


Entramos no programa curricular com uma aula por semana, a partir de 3 anos até ao ensino secundário e é uma revolução, vocês nem imaginam! Crianças de 8 anos de idade falando para os seus pais: “ Papai você perdeu o autocontrolo.” À medida que aprendem essas técnicas (e eu renunciei aos direitos autorais do programa para ser acessível aos alunos do Brasil, de Portugal e de todo o mundo) e nós temos conversado com líderes do Ministério da Educação para que a educação aqui em Portugal, em todas elas, particular e privada, também tenham o programa Escola da Inteligência.

CA – Como vê a situação do Brasil actualmente?

AC – Bom, infelizmente 99% dos líderes se perdem no poder, se infectam, se apequenam e têm a necessidade neurótica de se perpetuar no poder. Esses líderes fizeram não apenas estragos nas finanças do país e nas finanças da Petrobrás, mas no inconsciente colectivo de toda uma geração, o que é muito grave, asfixiando a esperança. Mas eu espero que uma nova geração possa entender que um verdadeiro líder é aquele que se curva diante da sociedade para servi-la, e não usa a sociedade para servi-lo.

 

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www.relances.blogspot.com

FONTEDistritonline.pt
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