Um lindo casal entra no metrô. A mulher se veste com elegância: salto alto, unhas e cabelos perfeitos. O marido usa um terno impecável. A pele bem cuidada e a expressão confiante de ambos chamam a atenção. A maioria dos passageiros analisa o casal com o canto dos olhos.

Algumas mulheres pensam: “como seria bom se eu fosse tão bonita e elegante como ela”. Já outros homens imaginam: “como seria bom se eu fosse tão jovem e confiante como ele”.

Seja entre desconhecidos, entre vizinhos, no trabalho ou na escola, a comparação é sinal de uma característica lamentável da condição humana: a inveja.

O filósofo Bertrand Russell chegou a considerar a inveja uma das causas mais poderosas de infelicidade. O invejoso é infeliz porque, em vez de se satisfazer e sentir prazer com aquilo que tem, sofre por tudo aquilo que os outros têm.

A inveja, que inicia com uma comparação aparentemente inofensiva, acaba levando o invejoso a querer causar dano àqueles que, aos seus olhos, parecem mais bem-sucedidos.

Em suas formas mais graves, a inveja conduzirá o invejoso até mesmo a causar o dano, desde que ele veja a possibilidade de sair impune do mal que quer provocar.

Em seu extremo, “se puder, o invejoso privará todos os demais de suas vantagens, o que para ele é tão satisfatório quanto conseguir essas mesmas vantagens para si”, diz Russell.

Se o invejoso abrir caminho para o seu vício, acabará por “ser nocivo a tudo o que seja excelente, inclusive para as aplicações mais proveitosas das aptidões excepcionais”.

Segundo o filósofo, a inveja é um vício que consiste em nunca ver as coisas como elas são, mas em sempre compará-las umas às outras. Mas, as comparações do invejoso são absurdas e tolas, pois de que adianta descontentar-se diante do aparente sucesso e bem-estar do colega, parente ou vizinho? “Para o sábio, o que temos não deixa de ser agradável, porque outros têm outras coisas mais”.

O primeiro passo para lutar contra a inveja é parar com a mania de fazer comparações. “Quando nos acontece algo agradável, é preciso desfrutá-lo plenamente, sem perder tempo, pensando que isso não é tão agradável como alguma outra coisa que esteja ocorrendo com outra pessoa”, afirma Russell.

Basta pensar que a primavera na Sicília seria tão mais bonita do que a daqui para que o nosso sol e os nossos pássaros percam o encanto. E assim nasce um desgosto que, pouco a pouco, pode transformar-se em ódio velado por aqueles que desfrutam da maravilhosa primavera na Sicília.

Segundo Russell, a inveja nasceria do acúmulo de privações e contratempos sofridos desde a infância, como, por exemplo, a falta de afeto e confiança. “Há certos tipos de felicidade a que todos têm direito por nascimento, e aqueles que se veem privados disso tornam-se mais tarde ressentidos e amargurados”.

Ele indica dois remédios contra a inveja. O primeiro é a admiração. Quem busca aumentar a admiração acaba por reduzir a inveja. O segundo é a disciplina mental. Deve-se cultivar o hábito de não ficar remoendo pensamentos inúteis.

“Para encontrar o caminho que lhe permita sair desse desespero, o homem civilizado precisa desenvolver seu coração, assim como desenvolveu seu cérebro. Deve aprender a transcender a si próprio e, com isso, alcançar a liberdade do universo”, diz Russell.

TEXTO DEAlexandre Alvarenga Ribeiro
FONTEJornalOSP
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