Coletar, organizar e interpretar dados para sustentar a tomada de decisão em instituições públicas ou privadas. Esse é o resumo da profissão do estatístico, apontada como a melhor de 2017 nos Estados Unidos por um recente estudo do site CareerCast.

Segundo o levantamento, a ocupação registra altos níveis de satisfação em quesitos como renda, estresse, ambiente de trabalho e perspectivas de ascensão.

As habilidades do estatístico ajudam a produzir sentido e orientar estratégias em um mundo cada vez mais abarrotado de números e dados.

Não à toa, o cientista de dados — outra possível ocupação para quem se forma em estatística — ficou em 5º lugar no ranking do CareerCast.

No mercado de trabalho norte-americano, a perspectiva é que a empregabilidade dos estatísticos salte nada menos do que 34% nos próximos 7 anos.

Mas, se essa é a realidade da profissão nos Estados Unidos, o que dizer do Brasil?

Na visão de Magda Carvalho Pires, professora e coordenadora do curso de estatística da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), a profissão também está entre as mais satisfatórias do momento no país e as oportunidades devem continuar se multiplicando nos próximos anos.

“Aqui o cenário não é diferente dos Estados Unidos: há muita busca por profissionais da área, e o número anual de graduados é pequeno frente a essa demanda”, explica ela. Como há muitas vagas e poucos candidatos, os salários estão crescendo.

Nem sempre foi assim.  “Ser reconhecido pelo mercado como um profissional com potencial estratégico para a organização foi um desafio para o estatístico, pois ele era visto como um mero ‘fazedor de contas’ ou alguém que só trabalharia no censo do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] e nas pesquisas de intenção de voto em época de eleições”, explica Pires.

Com o tempo, empresas e órgãos públicos foram percebendo que, num mercado cada vez mais competitivo, as decisões para redução de custos e para a melhoria na eficiência não poderiam ser tomadas com base em “achismo” ou em fatos isolados: era preciso contratar profissionais capazes de fazer uma leitura analítica dos dados.

Hoje, diz a professora da UFMG, há uma enorme oferta de oportunidades no setor financeiro, telecomunicações, indústrias, marketing e o próprio governo, por meio de concursos públicos em suas agências como Anatel, Aneel e Anvisa, além de ministérios.

A profissão é regulamentada desde 1968 e hoje conta com o Conselho Federal de Estatística (CONFE), além de 7 conselhos regionais (CONRE).

Salário pode chegar a R$ 30 mil

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisas Avançadas) apontou que o estatístico tinha em 2013 a segunda melhor remuneração do país: uma média mensal de 5.416 reais, atrás apenas dos médicos, que ganhavam em média 6.940 reais por mês.

Pires diz que, embora não haja uma pesquisa oficial que indique o salário médio no Brasil para a profissão, a análise das vagas de emprego abertas nos últimos anos indica que a remuneração inicial está entre 2,5 e 4 mil reais. Já a contrapartida financeira para cargos de gerência ou diretoria pode alcançar até 30 mil reais.

Segundo o CONRE-3, consultores chegam a cobrar 400 reais por hora e os estagiários podem receber bolsa de até 2.500 reais.

Veja abaixo os salários em regime de contrato CLT (40 horas semanais) sugeridos pelo CONFE (Conselho Federal de Estatística) em 2017, de acordo com o grau de qualificação do profissional:

Qualificação Salário médio sugerido (R$)
Bacharel 3.528,73
Especialista 4.538,74
Mestre 5.994,10
Doutor 7.104,12

O perfil de quem se dá bem

De acordo com Pires, é obrigatório que o estatístico tenha aptidão para matemática e apetite por exatas de forma geral, já que lidará sempre com números. Também deve ter fortes habilidades computacionais, uma vez que seu trabalho se baseará fortemente em softwares e bancos de dados.

Curiosidade, atenção para detalhes, raciocínio analítico, foco em resolução de problemas e interesse pela metodologia científica completam o rol de competências que caracterizam os melhores profissionais desse mercado.

“Podemos trabalhar em qualquer lugar do mundo, na China, no Cazaquistão, no Brasil, tanto faz”, diz a coordenadora da ENCE. “Não precisamos de revalidação do diploma e a atividade é a mesma em qualquer lugar”. Para o estatístico, o mundo das possibilidades — numéricas ou não — tende ao infinito. Veja matéria completa clique aqui
Fonte:Exame.abril.com.br

TEXTO DEClaudia Gasparini
FONTEExame
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