Por Viviane Battistella
Li três artigos nesta semana que falam sobre o papel do homem no casamento.

Levantam a bandeira de que as funções domésticas têm que ser divididas em partes iguais, falam do cansaço das mulheres que trabalham e acumulam também funções domésticas e grifam bem a crítica à justificativa dos homens que trabalharam o dia todo e para não cuidar dos filhos e/ou da casa quando nela chegam.

Cabe lembrar que o Brasil continua sendo um país no qual “serviçais têm serviçais” (termo usado por um autor inglês que relatou, no século XIX, as estranhezas que viu por aqui). Em países de primeiro mundo uma parcela bem menor da população conta com funcionárias para executarem as tarefas domésticas e/ou exercerem a função de babá.

Estive em contato há pouco tempo com famílias americanas passeando pela Disney e as via carregando em média três crianças por família. A única babá que vi foi junto a uma família brasileira que, pasmem, levou-a para cuidar apenas de uma menina de uns dois anos e meio.

Quando li o artigo fazendo aquela ode aos direitos e deveres domésticos iguais, confesso que fiquei um pouco incomodada. Não passou um dia e ouvi duas mulheres reclamando dos seus respectivos maridos enquanto almoçavam na mesa ao lado da minha porque estes não lavarem a louça, colocarem os filhos para dormir e irem ao mercado.

Falavam tão mal dos coitados que cheguei a pensar em me juntar a elas para entender porque se casaram com aqueles “trastes”. Fixei os ouvidos e consegui descobrir que um deles era médico e o outro advogado. Elas almoçavam ali provavelmente porque trabalham juntas em alguma consultoria ou coisa do tipo.

A forma como falavam mostrava muita segurança, independência e todos nós sabemos que uma mulher é sim capaz de administrar um trabalho, um lar e três filhos ganhando ou não um salário que permita pagar a funcionária do lar. O que ficou ali foi o vazio e a frieza que a independência muitas vezes traz a nós mulheres.

As mulheres se tornaram tão independentes e tão seguras de si que parecem não querer mais receber flores nem tampouco preparar um jantarzinho simples para quem divide com elas a vida. Apesar disso, elas ainda querem um companheiro! Pelo menos é o que confessam o tempo todo!

Eu ali, as ouvia reclamarem de seus maridos com uma vontade imensa de lhes contar o que já vi nas delegacias de mulher. Queria lhes falar das mulheres que apanham, das que são ameaçadas, humilhadas e mortas.

Queria falar das que são obrigadas a se prostituir por seus maridos usuários de droga e das que dormem com a faca debaixo do travesseiro. Queria contar a elas sobre a “nega”, uma inesquecível pessoa que conheci em um dos meus trabalhos e que tinha o facão como companheiro todas as noites para se defender do homem que a ameaçava e que era desses alcoolistas que batia e pedia perdão no dia seguinte.

De certo elas perderiam o senso se olhassem com olhos mais afetivos para as suas próprias histórias, iniciados talvez no final dos anos noventa quando ainda não tinham uma casa bacana e nem os filhos. De certo elas voltariam à realidade se soubessem que mulheres também acham que porque trabalham não precisam dar banho ou o jantar aos filhos.

Eu já ouvi coisas do tipo: “não vou largar dele porque ele me ajuda com as crianças apesar de ele ter me traído e ter tido um filho fora do casamento” Sim, também existem mulheres folgadas.

O que almejamos quando jovens muitas vezes era um filme idealizado no qual um príncipe nos carrega nos braços e no leva a um palácio no qual viveremos sem trabalhar fora. Então esperaríamos por ele e quando ele chegasse a casa estaria arrumada, os filhos cuidados e o jantar pronto.

Ao percebermos a inviabilidade do conto de fadas, saímos para trabalhar, ganhar a vida e participar ativamente da construção das nossas famílias, contudo talvez estejamos confundindo e amedrontando os homens na medida em que esperamos deles a divisão exata de todas as tarefas e ao mesmo tempo o príncipe que nos carrega nos braços e que chega com as flores.

E nós? O que estamos dando? Estamos mostrando a eles o quanto são importantes?

Os homens precisam e gostam de se sentirem importantes porque ao contrário das mulheres, sozinhos eles murcham. Uma relação entre um homem e uma mulher requer a reflexão sobre como cada um funciona e não simplesmente um levantar de bandeira de que eles têm que continuar provendo, nos dando presentes e dividindo conosco todas as funções.

Lembrem-se neste momento de que temos cada um, os nossos instintos e que muitas vezes as crises no casamento veem da própria confusão de papeis. Ainda somos mulheres a serem conquistadas pelos homens. É assim em relações de gêneros opostos.

Para finalizar declaro desde já, aceitas as conhecidas agressões feministas pelo e-mail que receberei, as lerei com todo meu amor e espero que este mesmo amor toque vocês antes de levantarem as armas.

Antes de repudiar, pense, reflita sobre o amor e entenda que quando ele existe tudo, até as funções domésticas são feitas sem peso. Cultive o amor, o perdão e a nós mulheres, talvez nos faça algum bem buscar o nosso melhor: a feminilidade.

TEXTO DEViviane Battistella
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