Pais de vítima afirmam que já perdoaram o atirador; tragédia reacende a preocupação com o bullying

Nosso filho foi morar com Jesus”, disse a Bárbara Melo, a mãe de João Pedro Calembo, de 13 anos, que foi morto pelo colega na escola em que eles estudavam, em Goiânia, GO. A entrevista foi exibida pelo Fantástico, da Rede Globo.

Na mesma entrevista, os pais da vítima dizem que já perdoaram o garoto. “O único sentimento que nós temos é de tristeza pelos pais dele, por ele (…) Qual será a reação da sociedade com esse menino? Nós não desejamos nada de mal para ele (…) O nosso desejo é que o mesmo amor que alcançou a nossa casa alcance a vida dele”, concluiu a mãe.

Na tragédia na escola, o estudante João Vitor Gomes, 13 anos, também foi morto e outros quatro adolescentes ficaram feridos. De acordo com a polícia, o adolescente de 14 anos sacou uma pistola .40 da mochila e atirou nos colegas dentro da sala de aula. A arma era da mãe dele, que é policial militar, assim como o pai.

Ainda segundo a polícia, o garoto cometeu o crime porque estaria sendo vítima de bullying no colégio. Mas a direção da escola e os pais das vítimas disseram que desconheciam esse fato.

Em uma rede social, a mãe de João Pedro (uma das vítimas) disse que não acredita que este tenha sido o motivo do crime e pediu para as pessoas pararem de julgar seu filho.

Bullying: um monstro silencioso

Recentemente, a Aleteia publicou uma entrevista com a psiquiatra infantil Nicole Catheline, autora do livro School Bullying (“Bullying na escola”). A especialista dá dicas de como identificar se uma criança passa ou não pelo problema e como os pais devem agir em caso afirmativo. Confira:

Quais são os sinais de alerta de bullying?

Não há sinais indicadores específicos, mas há mudanças no comportamento a serem observadas, como irritabilidade, hipersensibilidade, cansaço, problemas com comer ou dormir, dependência de videogames, atrasar-se para evitar ir à escola ou perder o ônibus. Infelizmente, os adultos tendem a assumir que essas mudanças são apenas os sinais típicos da adolescência, mas isso nem sempre é o caso.

As vítimas do bullying têm um perfil?

Não devemos abordar o problema dessa maneira, porque isso implicaria que é culpa da vítima que ela esteja sendo atacada. O bullying é o resultado de uma falha na dinâmica interna de um grupo.

Durante a adolescência, o grupo é importante para construir a personalidade de uma criança. Ele protege e envia uma imagem positiva daqueles que pertencem a ele. Para que um grupo funcione eficazmente, ele precisa se reunir o mais rápido possível. Cada criança contribui com algo diferente.

No entanto, as crianças do grupo podem acreditar que a vítima ameaça sua identidade coletiva porque suas roupas, interesses ou outros aspectos não se encaixam no grupo. Então a instituição deve intervir. Os educadores não podem permitir a lei da selva ou a sobrevivência do mais apto a prevalecer.

Por que os que sofrem bullying se fecham?

A criança está no meio do desenvolvimento e ela quer uma autoimagem positiva, então ela tentará encontrar a solução por conta própria. No entanto, ela pode manter o silêncio por medo de retaliação se seus pais notificarem a escola, ou por causa da carga da vergonha ou o medo de adicionar preocupações extras a uma família que já tem problemas.

Mas depois de um tempo, ela se esgotará e confiará em alguém. Geralmente, leva quatro a seis meses para que a vítima se abra. Mas algumas nunca se abrem.

Como devemos falar com nossos filhos sem sermos muito insistentes?

Você precisa ser o mais neutro possível, então tente dizer, ‘o bullying pode acontecer com qualquer um e se isso acontecer, faremos tudo o que pudermos para impedir’. Faça o que fizer, não diga, ‘ninguém está incomodando você na escola, certo?’. Uma vez que isso poderia transmitir nossa própria ansiedade e resultar no fechamento de nossa criança.

Como podemos parar o bullying?

Você não deve tentar resolver o problema sozinho, nem deve abordar a criança que está sofrendo bullying ou seus pais, pois isso pode piorar a situação. A primeira coisa a fazer é notificar os professores, o conselheiro escolar e o diretor.

Eles podem juntar as duas crianças e descobrir o que está acontecendo, ajudando quem está sofrendo bullying a entender seus motivos e permitindo que a vítima conheça as razões pelas quais ela está sendo escolhida. Então, é importante fazer parte da desconstrução – ‘que solução podemos encontrar juntos?’ – e não da acusação.

E se a escola não quiser saber? Entre em contato com o conselho escolar ou o superintendente. Se sentir a segurança do seu filho em risco, vá até a polícia local.

Sempre há um líder?

O valentão pode ser qualquer um, sem ser um líder real. Todos nós temos esse lado que pode ser facilmente liderado. É por isso que trabalhar em grupos pode ser um exercício realmente útil: faz com que as crianças pensem e as encoraja a encontrar a voz delas, ao invés de seguir cegamente como uma ovelha apenas para fazer parte de um grupo. Mais importante, mostra-lhes como ajudar a vítima.

Devemos incentivar nossos filhos a reagir? Apresentar queixa? Mudar de escola?

Você deve entender as intenções do valentão. Na maioria das vezes, o bullying significa, ‘nós não queremos você’, e reagir fisicamente não vai ajudar. Tomar a abordagem legal não vai realmente dar-lhe o resultado final que você está procurando, exceto nos casos de verdadeira depravação.

Mudar de escola não é a resposta, uma vez que a criança desenvolverá uma linguagem corporal do medo (retirada, olhos baixos…) que poderia atrair outro valentão. Essas três medidas precisam ser consideradas caso a caso.

Como você pode ajudar uma criança a recuperar a confiança?

Dê atividades a ela onde ela se sinta valorizada e uma plataforma para falar, ajudando-a a encontrar sua confiança em um grupo, talvez se juntando a um clube esportivo ou cultural.

É como cair de um cavalo: você tem que encorajar as crianças a tentar novamente e voltar a ‘viver juntos’.

FONTEAleteia.org
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