Imagem de capa: Pkpix/shutterstock

“Se eu fosse o meu suave creme de pêssego, onde estaria?”, digo eu para ninguém quando estou à procura da minha loção de banho favorita. Depois: “Ah! Aqui estás tu. Rolaste para debaixo da cama seu maluco”.

Eu falo muitas vezes sozinha. E não é só na privacidade da minha própria casa. Falo sozinha quando estou a descer a rua, quando estou no meu escritório ou quando estou a fazer compras. Ajuda-me a materializar aquilo em que estou a pensar.

Isso faz-me parecer louca. Pessoas malucas falam sozinhas, certo? Elas conversam com as vozes dentro das suas cabeças. Se estás a falar sozinha, todos pensam que és uma doente mental.

Tenho a certeza que muitas pessoas já me viram nas ruas de Lisboa e pensaram, “As drogas fizeram-lhe mesmo mal”.

Falar para ti mesmo, pelo visto, é um sinal de gênio.

As pessoas mais inteligentes no mundo falam sozinhas. Vejam os monólogos das mentes mais brilhantes. Vejam a poesia! Vejam a história!

Albert Einstein falava sozinho. Ele costumava repetir as suas frases para si mesmo em voz baixa.

Viram? Não estou sozinha, e não sou completamente desvairada. Sou simplesmente muito esperta.

Falar para ti mesmo faz com que o teu cérebro trabalhe mais depressa.

Num estudo reportado pelos psicólogos Daniel Swigley e Gary Lupya, eles afirmam que falar para ti mesmo é atualmente muito benéfico.

Somos todos culpados disso, né? Mais vale celebrarmos e percebermos os benefícios.

Dizer as coisas para ti mesmo desperta a memória. Solidifica o objetivo final e torna-o mais tangível.

Falar para ti mesmo ajuda quando saber o que precisas.

Se quiser encontrar alguma coisa, diga o nome do objeto em voz alta isso te ajuda a encontrá-lo apenas quando estás familiarizado com a sua aparência.

Tens que saber do que é que estás à procura; caso contrário, vais apenas confundir-te.

Segundo Lupyan: Falares para ti mesmo nem sempre te ajuda — se não souberes como é que um objecto realmente se parece, dizer o seu nome pode não ter nenhum efeito ou atrasar-te em encontrá-lo.

Em outras palavras, não podes encontrar sentido em algo sem saber com o que é que está a lidar. Se souber o que precisa e repetir o seu nome para ti mesmo, vai aumentar as tuas hipóteses de descobrir.

Enquanto criança aprendeste falando para ti mesmo.

Bebês aprendem a falar ouvindo os crescidos e imitando o que eles dizem. Falar tem tudo a ver com prática.

Precisamos ouvir as nossas vozes para aprendermos a usá-las.

Um discurso auto-dirigido pode guiar-nos na direção certa para os nossos problemas. Falando para nós mesmo estamos a concentrar-nos na tarefa que temos em mãos.

Falar para ti mesmo ajuda a organizar os pensamentos.

O que mais me ajuda quando falo para mim mesma é que sou capaz de organizar as inúmeras ideias que correm pelo meu cérebro.

Ouvir os meus problemas acalma-me. Estou a ser a minha própria terapeuta: a minha voz exterior está a ajudar o meu eu interior a resolver os seus problemas.

Segunda a psicologista Linda Sapadin, falares em voz alta para ti mesmo ajuda-te a validares importantes e difíceis decisões. Todos sabemos que a melhor forma de resolvermos um problema é falando sobre ele. Uma vez que é o teu problema, porque não falas contigo mesmo?

Falar para ti mesmo ajuda-te a atingir os teus objetivos.

Fazer uma lista de objetivos e decidir atingi-los pode ser muito difícil de fazer. Pode até ser devastador.

Andar falando para ti mesmo durante é uma forma muito mais eficaz para os atingir seus objetivos. Se fizer isso durante o processo, a cada passo irá parecer menos difícil e muito mais preciso.

As coisas vão começar a parecer mais realizáveis, e tu ficarás menos apreensivo em mergulhares nos teus problemas.

Falar para ti mesmo significa que és auto-confiante. Tal como Albert Einstein, pessoas que falam para elas mesmo são altamente competentes e contam com elas próprias para descobrirem o que precisam.

Nós “pessoas malucas” somos as mais eficientes e inteligentes da multidão. Nós tomamos tempo para ouvir as nossas vozes internas, em voz alta e orgulhosa!

TEXTO DEPatricia Lemos
FONTECOFFEEBREAK
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