Depois de meses que me permiti ficar sozinha e não buscar sexo, resolvi experimentar mais uma vez um aplicativo de relacionamento.

Eu já sabia que encontrar um homem de verdade dentro de um aplicativo desses era como achar agulha no palheiro.
Mas por ser bem resolvida, estar também a fim de sexo e alguém inteligente, resolvi arriscar.
Muitos matches vazios com pessoas que mal sabiam conversar.
Até que ele apareceu.

Cumpriu com o mínimo de exigências que procuro em um homem.
Era inteligente, charmoso, tinha senso de humor e conversamos muito. Por telefone.
Ele não tocou no assunto sexo. O que me chamou a atenção.
Não me pediu fotos sensuais e ainda disse que estava em busca de um relacionamento sério.
Será que era a tal agulha no palheiro?
Resolvi me encontrar com ele.

Chequei as redes sociais, fotos com família, comentários de conhecidos e ele era querido e tinha uma vida bem real.
Quando olhei pra ele, não achei tão charmoso como nas fotos.
Mas era interessante e não demorou muito para rolar o primeiro beijo.
Não foi aquela química de ver estrelas, mas ok.

Jantamos, conversamos muito, e aí começaram os sinais.
Ele dizia que não ligava pra status, dinheiro e falava mal dessas pessoas interesseiras.
Contou histórias de mulheres, mulheres de amigos, mostrou conversas no Facebook com outras pessoas.
E mesmo dizendo que não ligava, repetiu a palavra dinheiro mais de 50 vezes.
Não liguei.

Coloquei na cabeça que aquela noite quebraria meu jejum sexual.
Por mim.
Coloquei meu lado masculino pra funcionar.
Vi que não combinávamos em muitas coisas, que relacionamento sério seria praticamente impossível, mas me permiti.
Eu tenho uma condição de vida boa. Minha família tem apartamento de frente para o mar em um dos lugares mais cobiçados do Rio.

Ele, por outro lado, possuía um negócio próprio pequeno, mas era trabalhador.
Isso contava. Não o quanto ele ganhava, mas o quanto ele lutava.
Não ligo mesmo para status social.

Procuro pessoas de coração bom, com objetivos na vida, com a alma leve.
Sou sensível, diria até sensitiva. Senti a tensão nele. Parecia que ele não relaxava há anos.
Mesmo com tantos sinais contra, insisti em deixar pra lá e curtir a noite.
Fomos para o meu apartamento.

Então, mais uma vez, os papos sobre dinheiro voltaram.
Cortei e falei sobre outras coisas.
Mas o beijo foi bom e fomos pra cama.
Não foi nada demais.

Mas eu soube me satisfazer porque conheço meu corpo.
Ele, sedentário, não tinha o mesmo pique que eu, que adoro esportes.
A conversa continuou.
Antes ele se mostrou cabeça aberta, mas contou muita vantagem sobre quantas mulheres estavam atrás dele e que ele não saía apenas por sexo.

Rotulou muitas mulheres de vagabunda.
Não tinha uma boa relação com as filhas e também não tinha uma turma de amigos.
O ego cresceu.
Na testa dele estava escrito PROBLEMA em letras garrafais, mas eu ignorei porque coloquei na cabeça que era o que eu queria aquela noite.
Dormimos e quando acordamos rolou muita conversa e um pouco de sexo.
Ele não saiu correndo da minha casa, mas me julgou por histórias minhas de erros cometidos no meu passado, com homens.

Ele contou coisas muito mais graves do que minhas experiências que não deram certo.
E lembro que quando começamos a conversar, ambos concordamos que ninguém vive de passado.
Depois que ele foi embora, ainda estava naquela sensação boa de quem fica tanto tempo sem sexo e se satisfaz.
Fui para o mar, encontrei minhas amigas, rimos juntas.
Mas quando voltei pra casa e olhei a cama que havíamos dormido, senti um asco.
Lavei todos os lençóis. Coloquei os travesseiros no Sol.
Mudei de quarto. Nem deitar ali eu queria.

No dia seguinte meu corpo respondeu com uma virose do nada.
Parecia que estava querendo limpar a energia pesada que o cara deixou.
Falamos algumas vezes por whats e até cogitei o segundo encontro. Achei que estava exagerando. Até aí ainda não tinha ligado os pontos. Talvez meu ego quis que ele me procurasse enlouquecidamente para eu negar.
A noite ele mandou mensagem de algo que seria muito mais digno ligar.

Falou que seríamos amigos. Me elogiou um monte como pessoa. Falou que poderíamos sair outras vezes.
Aquele papo básico de quem fala em sinceridade, mas esqueceu de falar lá no começo que não tinha cabeça aberta e que procurava um relacionamento sério com uma santa sem passado.
Eu, a rainha dos textões no whats, respondi em 3 linhas.

Concordei. Falei que éramos muito diferentes. Agradeci o boas melhoras, porque ele sabia que passei o dia mal.
Desfiz amizade no Facebook, apaguei os contatos dele. Deletei tudo ali mesmo.
Agora, depois desse textão, vou falar o que aprendi com isso:

Fiz o que fiz porque eu estava a fim. Em nenhum momento criei expectativas.
Errei ao trazer ele para minha casa, um motel seria muito mais apropriado.
Eu me vi como a próxima que ele mostraria para a futura mulher que caísse no papo dele.
Mas me poupei.

Não mandei fotos sensuais, nudes e nem escrevi putaria.
O jeito como ele falou dos outros me mostrou o tamanho da insegurança dele.
O quanto ele era mal resolvido com mulheres e o quanto, sim, ele dava valor para dinheiro e status.
Tudo que ele falou refletiu exatamente quem ele era.
Essa é uma das vantagens da nossa maturidade.
Conto isso para vocês como um alerta.

Não exponham a intimidade em WhatsApp.
Falem por ligação, cuidem com o que escrevem.
Percebam os sinais e não ignorem, como eu fiz.
Fui egoísta pensando no que eu queria. Impulsiva mesmo. E fiz sem culpa, arrependimento ou remorso.

Você pode ir pra cama sim, no primeiro encontro, o corpo é teu.
Mas não espere que no dia seguinte o cara te traga flores.
Vivemos ainda em um mundo machista.

Uma coisa que me chamou a atenção foi que ele me falou que os homens mostram uns para os outros quem eles estão “pegando”, riem da nossa cara e se acham os “predadores” contando vantagens.
Homem é bom de papo. Falam absurdos quando querem te levar pra cama.
Mas não se intimide por isso. Cuide com o modo como você se expõe.

Vá sem expectativas. Vá por você. Vá para se satisfazer.
Mas cheque bem as redes sociais antes. Anote placa do carro, avisa uma amiga, veja amigos em comum e se possível, peça informações.

Vi uma cena em um seriado, o Sense8, que dizia:
“Todos nascemos do sexo. O sexo não deve ser temido, mas honrado.”

Sexo com amor nem se compara, e independente da experiência não ter sido a melhor possível, jamais se culpe.
Sempre existe algo para aprender.

(A autora preferiu não assinar justamente para não se expor)

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