O ano é 2009, e Thais Fersoza após 5 anos de namoro casou-se com Joaquim Lopes.

Imagino o que deve ter passado em sua cabeça naquela época.
Aposto que ela achou que seria para sempre, que ele era o amor da sua vida, e que ela era a mulher mais feliz e sortuda do mundo.
Afinal, casamento é justamente a união de todas essas certezas, não é?

Ninguém se casa esperando a separação.
Todo mundo acha que é para sempre.

Mas Thais não poderia estar mais enganada.
Aquele homem, com quem ela se casou, com quem dividiu 5 anos de sua vida e com quem tanto fez planos, não era o amor de sua vida.

Na verdade estava bem longe disso.
Aquele homem a traiu, enganou e mentiu em plena lua de mel, alguns poucos dias após o casamento.

E ela descobriu não pela boca dele, mas sim pelos jornais e revistas.

Se ser traída já é uma merda, imagina então o que deve ser descobrir uma traição passando pela banca de jornal do bairro.
Mal consigo imaginar tamanha dor.

Ela se enganou.
Ela pôs todas as suas fichas em alguém que não estava disposto a fazer o mesmo por ela.
Ela achou que era amor, mas era só decepção.

Acontece!
Quem nunca se enganou com a carta errada do baralho, não é?
Às vezes a gente encontra um Ás e acha que é um Royal Straight Flush inteiro.

Thais, como qualquer mulher, desabou.
Aquela mulher linda, talentosa e incrível se fechou para o mundo. Entrou em depressão, engordou, ficou sem trabalho, e por muito tempo esqueceu do brilho que sempre teve.

E tudo isso enquanto era obrigada a abrir as revistas e ligar a TV e dar de cara com seu ex desfilando feliz da vida e sem um pingo de remorso de mãos dadas justamente com a mulher com quem a traiu.
Ver a felicidade da pessoa que tirou a sua própria dói como uma tijolada na cara.

Mas a vida, meus amigos, ela é implacável.
Thais não se deixou abalar por muito tempo.
Ela não desacreditou no amor.
Não desacreditou nas pessoas.
Não desacreditou em si mesma.

Ela redescobriu a força que sempre esteve dentro dela e deixou a vida fazer o que sempre faz: dar voltas.

E então Thais parou de sentir pena de si mesma, saiu da depressão, voltou a trabalhar e conheceu o cara com quem ela viria a novamente se casar – e dessa vez sem traição na lua de mel – e juntos formaram a família que ela sempre quis.

Thais não deixou uma única experiência ditar seu futuro.
Não deixou um passado desastroso amargurar seus sentimentos.
Não deixou um cara que não presta infectar sua vida inteira.

Ela se permitiu recomeçar.
E a vida se encarregou do resto.

E quanto a Joaquim?
Bem, esse aí assumiu relacionamento com a mulher com quem traiu Thais para alguns anos depois ser largado por ela pelo mesmo motivo que largou Thais: ela o trocou por outro.

E agora ele é obrigado a acompanhar de pertinho a incrível vida de sua ex-esposa, que agora está realmente com o amor de sua vida, feliz, plena, mais linda do que nunca, enquanto ele está sozinho, apresentando um programinha de fofoca esquecido e sendo consumido pelas consequências das sacanagens que cometeu no passado.

Pois é.
Eu não disse que a vida dá voltas?

Uma pessoa pode até fazer outra de otária.
Mas ninguém está imune às voltas que a vida dá.
Todo fruto plantado hoje é inevitavelmente colhido amanhã.
E cada pessoa é responsável por colher da sua própria horta.

Os Joaquins colhem o que plantaram em suas hortas.
Assim como as Thaises também.
Alguns frutos são doces.
Enquanto outros, dolorosamente amargos.
Assim é a vida.

TEXTO DEMarina Barbieri
FONTEDeuRuim
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