Oriana Caraballo, feeds her children Brayner, 8; Rayman, 6; and Sofia, 22 months, at a soup kitchen in Los Teques, Venezuela, Sept. 22, 2017. Before the economic crisis, Caraballo fed her children using the wages from her job at a restaurant. Now she wept as she spooned soup into Sofia’s mouth — and recounted how her children had foiled her suicide attempt. (Meridith Kohut/The New York Times) CONTACTO

A fome que vem assolando a Venezuela há anos, está matando crianças de desnutrição em ritmo alarmante.

O New York Times, acompanhou por cinco meses o cotidiano em hospitais públicos venezuelanos e segundo os médicos, o número de mortes por desnutrição já é recorde no país.

Esse problema teve seu início desde que a economia começou a ruir em 2014, protestos por falta de comida se tornaram comuns. Outra rotina dura que os venezuelanos enfrentam são soldados montando guarda diante de padarias e multidões enfurecidas saqueando mercados.

Porém as mortes por desnutrição são o segredo mais bem guardado do governo de Nicolás Maduro. O New York Times, entrevistou médicos em 21 hospitais em 17 estados. Os profissionais descrevem salas de emergência cheias de crianças com desnutrição grave um quadro que raramente viam antes da crise.

“As crianças chegam em condições muito graves de desnutrição”, disse o médico Huníades Urbina Medina, presidente da Sociedade Venezuelana de Pediatria. De acordo com ele, os médicos venezuelanos têm se deparado com casos de desnutrição semelhantes aos encontrados em campos de refugiados.

A crise na Venezuela redesenhou completamente a paisagem social, e quem mais sofre com a crise como sempre são as famílias de baixa renda. Pais preocupados ficam dias sem comer, emagrecem e chegam a pesar quase o mesmo que seus filhos. Mulheres fazem fila em clínicas de esterilização para evitar bebês que não possam alimentar.

Os jovens que deixam suas casas e se juntam a gangues de rua para vasculhar o lixo atrás de sobras na pele, carregam sinais da violência, cicatrizes de brigas de faca. Multidões de adultos avançam sobre o lixo de restaurantes após os estabelecimentos fecharem. Bebês morrem porque é difícil encontrar e pagar pela fórmula artificial que substitui leite materno, até mesmo nas salas de emergência.

“Às vezes, eles morrem de desidratação nos meus braços”, afirmou a médica Milagros Hernández, na sala de emergência de um hospital pediátrico na cidade de Barquisimeto.

A pediatra diz que no final de 2016 notou um aumento significante de pacientes desnutridos. “Em 2017, o aumento foi terrível. As crianças chegam com o mesmo peso e tamanho de um recém-nascido.”

“Nos últimos dois anos, a situação ficou ainda pior. Em muitos países, a desnutrição grave é causada por guerras, secas ou algum tipo de catástrofe, como um terremoto”, disse a médica Ingrid Soto de Sanabria, chefe do departamento de nutrição, crescimento e desenvolvimento do hospital. “Mas, na Venezuela, ela está diretamente relacionada à escassez de comida e à inflação.”

O governo venezuelano vem tentando encobrir a crise no setor da saúde por meio de um blecaute quase total das estatísticas, além de criar uma cultura que deixa os profissionais com medo de relatar problemas e mortes ocasionados por erros do governo.

As estatísticas são estarrecedoras, o relatório anual do Ministério da Saúde, de 2015, indica que a taxa de mortalidade de crianças com menos de 4 semanas aumentou 100 vezes desde 2012, de 0,02% para pouco mais 2% – a mortalidade materna aumentou 5 vezes no mesmo período.

Esses dados ganharam manchetes nacionais e internacionais, mas o governo venezuelano declarou que o site tinha sido hackeado. Em seguida, todos os relatórios foram retirados do ar. A ministra da saúde, foi demitida e a responsabilidade de monitorar os boletins foi passada aos militares. Nenhuma informação foi divulgada desde então.

Os médicos também são censurados nos hospitais e frequentemente alertados para não incluir desnutrição infantil nos registros. “Em alguns hospitais públicos, os diagnósticos clínicos de desnutrição foram proibidos”, afirmou Urbina.

Informações: Estadão

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