Cleusa Maria da Silva, fundadora da Sodiê: 'Não ver minha mãe com o rosto sujo de carvão de cana queimada foi a maior realização'

Por: JCS

Aos 53 anos, Cleusa Maria da Silva, relata a jornada que percorreu de boia-fria a empreendedora de sucesso

A Sodiê Doces começou em um imóvel de 20 m² em Salto, interior de São Paulo, e hoje conta com mais de 315 lojas espalhadas pelo Brasil. Atualmente é considerada a maior franquia especializada em bolos artesanais do país.

Tudo começou do zero, pelas mãos e Cleusa Maria da Silva, que abraçou as oportunidades que apareceram com muita dedicação, esforço e trabalho foram as chaves que levaram o empreendimento a esse nível de sucesso.

Vinda de uma família muito humilde, nada foi fácil para ela, conheça a história:

Vinda de uma infância bem sofrida, mas em uma família feliz. Vivia no Paraná, 9 irmãos e os pais-todos trabalhavam no sítio que moravam. Ela lembra que a cada ano nascia um filho. Sendo a terceira filha, tinha sempre que cuidar dos menores enquanto seu pai e mãe trabalhavam na roça.

Aos 12 anos de idade a situação ficou mais difícil pois seu pai faleceu. Com isso, o dono do sítio onde trabalhavam demitiu sua mãe, tiveram que morar na casa dos avós, que tinha apenas dois cômodos, em Salto (SP), quase toda a família trabalhava de boia-fria. Sua mãe levantava as 4 hs para fazer marmita para os irmãos, enquanto ela arrumava a casa. Finalmente, ela se juntava à mãe e mais cinco irmãos e subiam em um caminhão que ia para as lavouras de Cana-de-açúcar.

Quatro anos se passaram nesse sofrimento, até que um de seus tio a convidou para ir para São Paulo. Mesmo resistindo, pois sabia que sua mãe não se separaria dos filhos, foi quando ela argumentou que “não estava saindo de casa”, e sim ia buscar ajuda. Pedido foi aceito.

Chegou em SP em um sábado e na segunda começou a trabalhar como empregada doméstica. Não sabia que tinha que dormir no emprego, e foi um sacrifício ficar sozinha com pessoas que não conhecia. Seu suado salário era enviado integralmente para a sua mãe todo o final de mês.

Naquela casa descobriu o que era a fartura que nunca conheceu, a dispensa era abarrotada de bons produtos, alimentos e pacotes fechados de sabonetes.

Viu no estudo uma possibilidade de mudar de vida.

Durante o dia trabalhava e à noite fazia supletivo, ao completar o ensino fundamental resolveu sair da casa dos patrões, foi morar com seu tio e conseguiu emprego em um escritório.

Não conseguiu se dar bem com os parentes e voltou para Salto. Começou a trabalhar em uma fábrica como operária, ajudando sua mãe a construir uma humilde casa.

Tudo começou a mudar quando o seu patrão morreu e a esposa dele assumiu o negócio. Foi uma oportunidade de aproximação das duas.

A patroa fazia bolo para fora e precisava que ela a ajudasse assumindo as encomendas, Cleusa não queria assumir por não saber fazer bolos, afinal ela nunca ganhou um bolo de aniversário, até que num certo dia, a patroa quebrou a perna – não teve mais como escapar.

O primeiro bolo que ela fez foi supervisionado pela patroa e foi fantástico, desde então, não parou mais de fazer bolos, começou a rodar a noite para dar conta dos pedidos. Pediu demissão e com o valor da rescisão, montou uma lojinha, os bolos lhe renderam fama na cidade, e um cliente bem assíduo quis levar seus bolos para o centro de SP.

Com muita insistência dele a levou a descobrir o mundo das franquias, ela estudou, comprou livros. O negócio começou a crescer rapidamente. Sua história foi a da luta pela sobrevivência, por uma vida melhor para a família. Seu maior orgulho é não ver mais sua mãe com o rosto sujo de carvão de cana queimada.

Cleusa Maria da Silva, não se entregou ao vitimismo, pelo contrário, não houve sorte, mas muito dias seguidos de trabalho. Hoje, a marca Sodiê Doces tem mais de 315 lojas espalhadas pelo Brasil, uma em Orlando (Estados Unidos), fatura 290 milhões de reais por ano.

Com informações: Veja 
                           Sodiê Doces

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