Às vezes, ceder é um fardo. Vai pesando, pesando, até que você não consegue mais ceder, muito menos suportar toda a relação. Você começa cedendo porque ama. Porque gosta de ver o outro feliz. Deixa de lado sua opinião, releva o que te chateia. Depois, cede para não brigar. Cede porque não quer ser julgada como egoísta. Cede tanto que acaba cedendo a própria personalidade. E aí, leva tempo até reencontrá-la.

Ceder é essencial em uma relação. É preciso aliviar a queda de braço, pois, diante de pessoas diferentes, com histórias e vivências diferentes, nem sempre vai sair como você espera. Na maioria das vezes, não vai. No entanto, a questão é ceder com exagero, a ponto de anular-se. É quando o relacionamento se torna via de mão única, onde apenas um cede, apenas um se empenha, apenas um abandona o orgulho.

Ninguém é capaz de suportar o peso disso. Afinal, anular-se por ceder demais é ter que aguentar o peso de engolir suas próprias vontades e posições, além de “enfiar goela abaixo” as vontades e posições do outro. Se já é difícil carregar as nossas, imagina a de outra pessoa. Por isso, um relacionamento em que um cede e o outro impõe, infelizmente, está fadado ao fracasso.

E qual será o limite entre ceder e conciliar? A grande diferença entre essas duas palavras é que a primeira é individual, vem apenas de um lado, enquanto a segunda é tomada a dois, ou seja, depende do outro para que realmente haja uma conciliação. O segredo talvez seja esse. Se apenas uma parte cede, não há conciliação. E sem conciliação, não há duas partes, não há relacionamento.

Por isso, ao invés de ceder, tente conciliar. Faça acordos. Coloque-se no lugar do outro, mas não acumule o peso das decisões dele. Ceda até o limite da sua personalidade. Não carregue o fardo de engolir o que você precisa falar; apenas fale com jeito. Agora, acima de tudo, lembre-se: se o outro não estiver a fim de acordos, desista. Por vezes, é mais fácil para ele ou ela ocupar a posição de eterno mimado. E não cabe a você levar o peso disso.

TEXTO DEIsabela Nicastro
FONTESemtravasnalingua
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