Sinto que as feridas que restaram estão se fechando.

É como se o perdão que nunca foi pedido, fosse dado no silêncio.

É como se finalmente percebesse que a jaula estava aberta o tempo todo e eu já podia voar.

As asas já estavam prontas pra bater, só faltava perder o medo de voltar a correr pelo céu novamente.Finalmente aquelas pequenas maldades, deixaram de ser um caos e se transformaram em apenas grandes aprendizados.

É como se a areia da ampulheta terminasse de cair e os olhos começassem a abrir.
Coração se abre novamente, pra errar e querer que erre mesmo na esperança de aprender.

Veias e artérias que pulsam pro novo.

As lágrimas vão cessando, a culpa vai sendo esquecida e nem a dor é mais lembrada.

Não é lembrada, não porque não doeu, mas porque finalmente passou, passou sem deixar nem as digitais dos dedos.

Depois de inúmeros textos, inúmeras vezes contando a mesma história, inúmeras vezes sendo consolado, eis a hora de dizer adeus.

Sim, o adeus já foi dito faz um tempo, mas eu falo do adeus verdadeiro, que o coração permite que vá mesmo, que a cabeça entende que ali nunca foi seu lugar, que seu corpo para de desejar, que seu universo para de querer o querer, e grita…

E tudo começa a caminhar lentamente, e tudo começa a fazer sentido, e tudo vai voltando pro lugar.

A vontade de que quebre a cara e volte pra mim foi embora, porque não quero que volte, não quero um amor torto que nunca mereci, a vontade de agora é que a cara continue intacta e não volte nunca mais aqui, continue andando feliz como queria ser na certeza de que sua crueldade serviu para alguma coisa.

Aqui a festa é todo dia, mas você deu a entrada pra outra pessoa e penetra aqui não é permitido, acabei percebendo que suas roupas não são nem ideais para o evento, eu que tinha fantasiado o contrário.

Agora é andar sem medo de na próxima esquina se bater, de na próxima festa ver, de na próxima provocação tremer, de existir uma próxima vez.

É o desfecho, são as últimas lágrimas, mas é de alívio, é o último texto, ou quem sabe não, talvez um dia eu escreva de novo pra lembrar de que vale a pena seguir em frente, é a última vez que paro pra pensar, é o fim, É O FIM, com letras maiúsculas, com coração saindo pela boca, eu coloco o ponto final, coloco depois de tantos pontos de continuação.

E devagar, como que depois do final de um filme vem os créditos, vem finalmente o desabar das mágoas, vem o não sentir nada, nem amor e nem raiva, vem o sincero sentimento do perdão, vem o fechar das cortinas pro você e eu, que só existia eu e agora nem isso existe mais.

TEXTO DECleidisson Araújo
FONTETextoserio.blogspot
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