Por Bruna Stamato

Permitam-me parafrasear Herman Hesse dizendo que “A ave sai do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer precisa destruir um mundo.”, pois não conheço metáfora melhor que essa para descrever as nossas “destruições” pessoais e internas, aquelas que ninguém vê e muitas vezes, ninguém nem imagina, mas que nos provocam verdadeiros terremotos de 10 graus na escala Richter.

O ovo é só um dos processos metamórficos da vida. Outro belíssimos exemplo que sempre me fascinou desde pequena, é o das borboletas! Eu tinha muita dó das lagartinhas, achava que elas pensavam que iriam morrer em breve, já que se fechavam num casulo um tanto claustrofóbico ao meu ver, e lá ficavam por um bom tempo…

Creio que elas fizessem toda a retrospectiva da vidinha delas até li, que tivessem lá seus arrependimentos e que agradecessem pelas coisas boas e começassem a se despedir da vida quando, na verdade, algo espetacular acontecia: Elas ganhavam asas LINDAS e agora eram LIVRES! Ninguém mais tinha pena por serem rastejantes, agora, todos só lhes tinham admiração. E o que parecia o fim, era na verdade, o início!

Elas começavam a cumprir sua jornada, o que elas era, de fato, nunca foi uma lagarta um tanto repudiável, a natureza delas sempre foi… BORBOLETA. Processo similar acontece conosco, seres humanos, mas de formas diferentes e possivelmente, várias vezes na vida. Mas a premissa é a mesma: Primeiro passamos por intenso sofrimento, nos lamentamos, questionamos, revemos nossa trajetória, os supostos erros, e quando achamos ser o fim, na verdade, é o começo. Todo fim é um começo, sem exceção. De uma forma boa ou ruim.

Grandes mudanças são precedidas por grandes sofrimentos.

É como o trabalho de parto. Existem diferentes tipos de trabalhos de parto, mas nenhum deles, sem contrações. E quanto mais intensas as contrações, mais o trabalho de parto se aproxima do fim. Na fase expulsiva a dor é quase insuportável, mas absolutamente imprescindível. Se não fizermos FORÇA, o bebê não nasce, a casca do ovo não se rompe, e o casulo não se desprende.

Então, o que quero te dizer aqui é que se você está passando por um sofrimento intenso, é porque, muito provavelmente, mudanças significativas estão á caminho. Se você reza e percebe que mesmo assim o sofrimento aumenta visivelmente dia após dia, não é a hora de abandonar a fé, é a hora de intensificar a oração. É a hora de soltar as rédeas, respirar fundo, soltar o grito, e entregar nas mãos de Deus.

Muitas vezes por medo nós nos acomodamos em situações horríveis. Situações que não desejamos passar, mas que parece que não conseguimos sair. E aí, de repente, vem uma tsunami, uma crise enorme e provoca uma mudança brusca nas nossas vidas. Nem sempre essa mudança é positiva ao primeiro olhar, na verdade, acho que quase sempre, ela parece cruel e sofrida logo de cara e a gente não sabe dizer porque tão desventura aconteceu, já que costumamos ser pessoas boas, de bom coração.

Creio, que essa mudança imponderável seja vital. É quando não dá mais pra manter uma situação, quando temos que sair do ovo de qualquer jeito, quando temos que parir. Pois se passa do ponto, o bebê morre, a ave morre, nós morremos. E acredite em mim, há várias formas de se morrer em vida.

Acostumar-se na tristeza é uma delas. Manter um relacionamento abusivo é uma forma; Morar onde se detesta é uma forma bem eficaz.

E muitas vezes não encontramos a força necessária para fazer as mudanças precisas de uma forma ponderada. A única solução que o Universo encontra, então, é na “marra”.
Uma coisa é certa: ninguém freia as mudanças de curso da vida.

Deixe os muros virem abaixo, os sonhos virem abaixo, pare de tentar escorar com as mãos já machucadas, somente depois que tudo cai é que a gente consegue ter dimensão do estrago, e então, arrumar os escombros, jogar fora tudo que não serve mais e começar a construir sonhos novos, uma vida nova, com uma base sólida e confiável, que não vai balançar com qualquer tremor futuro.

Não construa seu mundo em cima de ruínas.

TEXTO DEBruna Stamato
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