Laura Cardoso celebra, neste ano, os seus 90 anos de idade. Para saber detalhes sobre o pensamento, a vida e o trabalho dessa inigualável atriz, o jornal O Globo a entrevistou e pudemos conhecer um lado divertido e muito bonito de Laura. A entrevista foi feita por Naiara Andrade.

Segue trecho da entrevista. Quem quiser conferi-la na íntegra, acesse O Globo.

RIO — “Por favor, me chame de você. Senão vou me sentir muito velha…”, brinca Laura Cardoso, do outro lado da linha. Prestes a completar 90 anos nesta quarta-feira, dia 13, e já com 75 de carreira, a veterana não gosta de ser tratada por “dona” nem “senhora”. Esbanjando vitalidade, é umas das atrizes mais produtivas de sua geração — em março, despediu-se do horário das seis como a vilã Dona Sinhá, de “Sol Nascente”, e já volta ao ar em outubro na pele de Caetana, dona de um bordel em “O outro lado do paraíso”, próxima novela das nove. Nesta entrevista, a paulistana Laurinda de Jesus Cardoso Baleroni repassa sua história pessoal e sua trajetória artística com orgulho, mas sem saudosismos: “Estou sempre de olho no futuro”.

Vai haver uma grande festa pelos seus 90 anos?

(Risos) Só um jantarzinho em família… Não sou tão festeira, mas gosto de celebrar. Um bolinho não pode faltar! É interessante chegar os 90 cercada de quem eu gosto, com saúde e ativa. Amo muito e respeito o meu ofício. Nunca sinto cansaço para trabalhar! É claro que não tenho a força muscular dos 30, 40, 50 anos. Mas ainda me sinto bem. E muito, muito contente por estar trabalhando.

Tem cuidados especiais com a alimentação? Costuma se exercitar?

Eu sou indisciplinada, viu? Gosto muito de andar, conhecer os lugares a pé. Mas não sigo dieta alguma. Como o que eu gosto, quando eu quero. Graças a Deus, não tenho diabetes nem pressão alta, minha genética portuguesa é muito boa! Agora, sou louca por doces, chocolate! Como muito e depois passo mal. E nunca fui de beber, meu corpo não aceita bem. Só de vez em quando é que eu tomo meia taça de vinho branco.

Você é uma das poucas atrizes de sua geração que não passaram por cirurgias plásticas, certo?

Tinha uma colega que dizia que minha autoestima era grande, porque eu sempre confiei na minha cara do jeito que estava (risos). Não tenho problema algum com minhas rugas. Meu rosto reflete a minha vida, a minha alma, o que amei, o que sofri… Eu me gosto assim.

Considera-se uma mulher bonita?

Olha, gosto mais de ser chamada de inteligente que de bonitinha. Eu diria que sou charmosa… Prefiro que enxerguem minha beleza interior.

(…)
Desses 75 anos de carreira, o que foi mais emocionante?

O que eu mais amo é ser reconhecida pelo público, receber aplausos. Sinto que esse carinho é sincero. Acho que sou uma das atrizes mais premiadas do Brasil.

Teve alguma decepção?

É incrível, mas na minha carreira não houve tristezas. Só ficava cabisbaixa quando não era escalada. Sempre trabalhei continuamente. Quando estou descansando, quero logo voltar.

Aposentadoria, então, nem pensar?

Ah, não sou muito de férias nem de aposentadoria. Acho que, se você parar, morre alguma coisa por dentro. Trabalho é vida, faz a cabeça e o corpo funcionarem, o coração pulsar forte.

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