Por: Fabrício Carpinejar

A morte não é para amadores. A morte não pede para você guardar os óculos antes de bater em sua cara. A morte não se intimida se é idoso ou uma criança. A morte é implacável e não espera que você prepare um discurso de adeus – os outros terão que se virar com as palavras ditas e as lembranças esparsas.

A morte dói duas vezes: para quem parte sem saber e para quem fica sem compreender o sumiço. A morte desidrata a alma. A morte não lhe poupa das piores notícias, diz de uma vez, grosseira. A morte vai tirando quem você mais gosta de repente e deve se virar com o luto. A morte é a solidão da memória. A morte não respeita Dia dos Pais ou das Mães e leva o seu pai e sua mãe no meio da comemoração.

Ninguém pode alcançar o sofrimento da namorada de Gabriel Diniz. Nem com uma escada formada de lágrimas.

O cantor morreu em queda de avião monomotor na segunda (27/5), quando queria economizar tempo para comemorar o aniversário de 25 anos de Caroline. Desejava preparar uma surpresa.

A morte não poupa sequer o aniversário de alguém. Não aguarda que soprem as velas, que vire o pêndulo da meia-noite, que se abram os presentes. Ela não ama ninguém para dar desconto, sobrevida, perdoar atrasos.

Caroline terá que ser forte para entender que não foi sua culpa, que ela não é responsável pelo fim precoce de sua paixão, que a morte é desse jeito, desajeitada, imprevisível, arisca, arrogante.

Terá que ser forte o suficiente para vencer o trauma com paciência e comemorar as suas idades nos próximos anos. Porque os 25 anos foi obrigada a pular, a passar adiante. Nunca fará 25 anos. Já estava ocupada demais em se despedir.

A morte tem inveja da vida. Parece que ela nos obriga a ser feliz sem pensar muito no futuro, sem se demorar para responder os afetos, sem adiar os sonhos. A morte grita em nossos ouvidos: faça agora antes que seja tarde.

Via: Fabrício Carpinejar

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