Em entrevista, a mãe da vereadora carioca Marielle Franco, executada no dia 14 de março, descreveu como foi a última vez em que falou com a filha.

Marinete da Silva, advogada, de 66 anos, lembra que na noite anterior ao crime, Marielle telefonou para ela, oferecendo uma carona.

A advogada passa o dia correndo pelos fóruns do Rio de Janeiro, pra dar conta de todos os processos que toca (sempre na área cível). Entre os colegas de profissão e rotina, há quem até agora não se deu conta de que é ela a mãe da vereadora Marielle Franco.

Marinete é discreta e sempre evitar falar de si. Ainda assim, tem naturalmente um jeito convidativo: com um discurso rápido e simples, quase pra passar desapercebida, contrasta com o tom altivo, cheio de personalidade. “Como boa nordestina, de um lado, sou um doce; do outro, um ralo”, diz a paraibana.

Falando de Marielle, a mãe lembra, quando Marielle chegava na casa dela, gritava:

“Marinetinha! Abre o portão”. Eu a via lá embaixo. Ela entrava e ia ficando toda à vontade, só de sutiã e calcinha pela casa. Eu não gostava. Imagina, um mulherão enorme daquele, 1,76 metro de altura. E a rua logo aqui… Os vizinhos, gente!”, relembra, sorridente.

Católica fervorosa, dona Marinete completa 40 anos de casada com seu Antônio, o Toínho, católica fervorosa, vai à missa todos os dias.

Marielle por outro lado foi funkeira, foi mãe solteira, casou-se duas vezes, e era defensora da legalização do aborto, assumiu-se homossexual.

“Muita coisa era uma doideira pra mim… Eu não concordava. Mas sempre respeitei e admirei a garra da minha filha. Ela era engajada.No começo, eu não queria que fosse política. Já fazia oito anos que estava na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, com o Marcelo Freixo. E eu pensava: “Pelo amor de Deus! Já está tão bem aí”. Mas depois virei a maior cabo eleitoral dela. Rodei esse Rio de Janeiro todo contando pras pessoas sobre o trabalho imenso da minha filha. Com jovem, com negro, com mulher, com pobre, com minorias. O legado que ela deixou é o que me motiva hoje.”

A despedida

Marinete contou que ficou sabendo da morte de Marielle por um padre amigo da família, mas só acreditou quando ligou a TV:

“Até agora é difícil de acreditar. A sensação é de estar em frangalhos, feito um zumbi. O que me conforta é saber que na noite anterior, por acaso, consegui me despedir da minha filha.”

Marinete conta que um dia antes da morte de Marielle, pegou uma carona com a filha no fim do expediente.

“Foi só a segunda vez que fui no gabinete da Marielle. Nossos horários não coincidiam nunca. Quando as pessoas me encontraram, vieram fazer elogios por causa dela, ofereceram água, café, lanche… até anunciaram minha visita no Plenário. Eu me senti orgulhosa, mas fiquei com vergonha.”

As duas inda tomaram um chá juntas, onde conversaram bastante e como mãe Marielle deu recomendações sobre a filha Luyara, que estava passando um tempo com a vó para tratar de uma conjuntivite.

“Disse pra eu cuidar pra que ela estudasse, lesse mais, se concentrasse no Enem deste ano. Saímos de lá quase às 20hs da noite e começamos a rodar pelas farmácias à procura de um colírio contra a conjuntivite da Lu.”

Nos dias que se seguiram à morte da filha, Marinete se sentiu acolhida pelas multidões mundo afora.

Marinete conta que após a morte da filha, só conseguiu ter um momento mais reservado com a família na missa de sétimo dia, depois receber uma ligação de pêsames do Papa Francisco.

Informações: Metropolis

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