Por Fabricio Carpinejar

Nem sempre o amor termina em pizza, mas o que é certo: o amor termina com a pizza.

Quando solteiros, podemos comer uma pizza inteira sem a necessidade de dividir. Uma pizza inteira só com o sabor desejado. Uma pizza inteira sem prato, sem talheres: com a caixinha quente no colo e as mãos fazendo as vezes de guardanapos.

É sentar na frente da televisão e relaxar em silêncio. É tampouco ser obrigado a perguntar a alguém ao lado: o que deseja ver? É dispensar educação, simpatia e colocar direto no canal de preferência engordurando os controles.

Quando solteiros, podemos exercer a gula, podemos exercer o egoísmo, podemos exercer a indiferença. Somos soberanos em nossos gostos, individualistas, arrogantes mesmo. É o que queremos e do jeito que queremos. Não devemos satisfação a ninguém.

O relacionamento liquida de vez com o prazer da tele-entrega. A pizza será um aperitivo, um tira-gosto, pequena para a sua fome família.

Já terá que brigar para pedir a grande mesmo repartindo. Antes devorava uma inteira, agora precisa se contentar teoricamente com a metade.

Teoricamente. Porque as mulheres nos confundem. Sua namorada dirá que só comerá uma fatia. Acredite não acreditando. Concorde não acreditando. É mentira! Isso nunca acontece. Ela comerá de três fatias para mais. Ela anseia o tamanho pequeno para se controlar, mas demonstrará apetite para uma inteira.

Ao realizar a encomenda, está condenado a ser generoso e dividir os sabores. Daí vem o terror. Ela mostrará que gosta de um sabor intragável, como strogonoff ou churrasco ou vegetariana ou frango/catupiry coberto de batata palha. É um buffet a quilo, não mais pizza.

Diante da catástrofe, internaliza que lhe restam as quatro fatias de sua calabresa. Não poderá, infelizmente, beliscar a vizinhança.

No momento da refeição, além do desconforto de usar pratos, talheres e sentar à mesa, a namorada não se contém em degustar o próprio lado e inventa de provar o seu.

– A calabresa está boa? Posso?

Mais uma fatia foi embora, você só tem três. Três! Ela contabiliza cinco, quase o dobro de sua miséria: quatro da encomenda extravagante mais uma garfada de seu território. Você ficará em dúvida se é um jantar ou uma disputa do War. Com apenas um dado, defende a Oceania das milhares de peças da Ásia.

Ela vai lhe humilhar. Será capaz de roubar a sua borda, de arrancar o seu recheio, de pegar o tão cobiçado e divino último pedaço.

No fim, talvez coma, no lugar dela, aquela única fatia.

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