Por: Luciana Campos

Se você clicou neste link, foi movido por uma curiosidade: existe um lado bom na ansiedade?

Sim, pode existir um lado bom em todas as coisas. Basta lembrar de um pensamento cuja autoria desconheço, que diz assim: “Não existe nada completamente errado no mundo. Até mesmo um relógio parado estará certo duas vezes ao dia”.

Dito isto, vamos buscar sustentar esta argumentação!

Um primeiro passo seria distinguir sensações que guardam elementos em comum: medo e ansiedade. Ambos são estados aversivos causados por algum estímulo e que impelem o indivíduo a reagir. Contudo, existe uma distinção importante: o medo é uma emoção que possui um gatilho específico e imediato. Por exemplo: Medo de barata! “Vejo a barata com suas anteninhas matreiras e pronto: luta (preferencialmente com um chinelo – isso se a bendita não for voadora) ou fuga!”

Enquanto o medo nos prepara instantaneamente para uma resposta corporal diante de um objeto específico, a ansiedade é um estado mental corporal difuso no tempo: “E se eu visualizar uma barata em algum momento, em algum lugar?”

Ontem, ministrando uma aula, comentei com meus alunos: “Se depressão é excesso de passado, ansiedade é excesso de futuro”. A mente pode estar muito investida de passado ou de futuro e isto pode ser patológico. Daí uma aluna pergunta: “Então a mente deve estar sempre somente no presente?” Respondo prontamente: Não!!!! A preocupação absoluta apenas com o momento, uma espécie de presentismo, também é patológico, encontrada por exemplo em alguns moradores de rua, descrentes em alcançar uma mudança na vida e se importando apenas com a alimentação do momento, o local de abrigo da vez…

O sujeito equilibrado visita o passado para confirmar sua identidade, ressignificar vivências positivas e negativas e avaliar sua trajetória. Do mesmo modo, deve sempre olhar para o futuro com vistas a sonhar e criar planejamentos para alcançar metas. O sujeito saudável portanto, “passeia” entre as temporalidades de modo dinâmico.

O lado bom da ansiedade, portanto é este: servir como estímulo para resolver problemas. Contudo, a  ansiedade pode tornar-se patológica quando qualquer incerteza, imprevisibilidade, surpresa, desencadeia o quadro. E isto é especialmente dramático porque a vida é repleta de incertezas. Não é a toa que segundo a OMS os transtornos de ansiedade – por exemplo: Síndrome do Pânico, TOC, Fobia Social, entre outros – são a segunda patologia que mais acomete pessoas no mundo. A primeira é a depressão e a terceira o abuso de substâncias. Vou fazer uma analogia um tanto simplista, mas muito didática:

1º.) Depressão (Pessoas ancoradas no passado)

2º.) Ansiedade (Pessoas obcecadas com o futuro)

3º.) Dependência Química (Pessoas focadas no prazer imediato: excesso de presente!)

Compreenda: Parar de transitar com fluidez entre passado, presente e futuro, é problemático.

Ontem, ao assistir uma aula de uma formação em uma área denominada “Constelação Familiar”, o professor dizia: a ausência da figura paterna – que confere ao sujeito certeza, segurança, conexão e amor, pode levar o sujeito a enveredar-se pelos vícios, que podem ter relação com a ansiedade. Se me faltou um modelo de segurança e certeza, posso me dirigir pela busca de um veículo de resolução. Assim, o vício se torna uma compensação momentânea para continuar vivendo.

O roer unhas, checar todos as mensagens mil vezes, não passar algum tempo sem um cigarrinho, pode ter este papel: um veículo comportamental que fornece uma segurança momentânea. Ouvi isso e fiquei pensando em tantos pacientes com transtorno de ansiedade que realmente possuem uma lacuna de paternidade…  Continuo pensando, afinal o estudo das constelações é uma área nova para mim.

A contribuição central que pretendo deixar com esta leitura é:  a ansiedade em si não é o problema, pode ser o primeiro passo para impulsionar o sujeito a resolver o problema. Encaremos como uma mola propulsora para a resolução de situações que precisam ser consolidadas. A questão é apenas calibrar esta emoção!

Via: Luciana Campos

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