Por Redação Provocações Filosóficas

Em um trecho da palestra “Qual é a tua obra”, Mario Sergio Cortella faz uma reflexão sobre viver e ser esquecido. Confira abaixo a transcrição da fala de Cortella.

No dia que eu me for, eu me vou, e você também. Mas eu não quero ir, eu quero ficar. Lamentavelmente, só há um jeito de ficar: fazendo falta.

Na capa do meu livro “Viver em paz para morrer em paz” há a seguinte pergunta: “Se você não existisse, que falta faria?”. Tem gente que faz uma falta imensa, por exemplo, alguém que nos criou, enquanto há outras pessoas que não fazem falta alguma. Tem gente que não poderá ir a uma festa de Natal, por indisponibilidade ou porque já morreu, e faz uma falta imensa, enquanto há outras pessoas, vivas ou não, que não poderão ir a essa mesma festa, gerando uma grande alegria com sua ausência.

Morrer é ser esquecido. Você só não é esquecido quando faz falta. Enquanto alguém se lembrar de você, derramar uma lágrima sentindo sua falta, der risada por algo que você fez e que ele relembrou, lembrar-se de uma comida que você gostava etc., você continua vivo.

No cemitério, há túmulos abandonados, caídos e mal cuidados, então, a pessoa naquele caixão de fato morrera. Por outro lado, enquanto alguém permanecer com o outro na memória, coração e recordação, este continua vivo.

Há pessoas que morrem mesmo estando vivas, pois são banais, fúteis e inúteis, não fazendo falta. Só há um jeito de fazer falta: sendo importante, mas não no sentido de ser famoso. Tem muita gente que é importante, e não tem a menor fama, enquanto há gente famosa que não possui a menor importância. A pessoa importante é aquela que faz falta, por exemplo, no presente momento tem uma auxiliar de enfermagem num hospital da prefeitura de um estado auxiliando alguém que está em coma há três meses – essa profissional é absolutamente importante.

A fama possui seus momentos de pico e passa, mas a importância fica. E a importância você constrói onde está, seja na família, no governo, na escola etc. Uma pessoa importante é aquela que fica nos outros, que é levada para dentro do coração dos outros. Importar é portar para dentro.

Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas do trecho da palestra: Qual é a tua obra de Mario Sergio Cortella.

Confira o vídeo:

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