Por:Giovane Galvan

Depois de um tempo a gente percebe que se torna cada vez mais difícil se apaixonar. Nos julgamos mais exigentes e seletivos, mas não é só isso que nos mantém distante das entregas verdadeiras.

Também não importa quão calejados estejamos de histórias mal sucedias, as vezes, saímos de histórias que deram certo por muito tempo, mas simplesmente acabaram como tudo na vida.

Acho que fomos feitos para acabar um pouco todos os dias. O que nos torna menos dispostos ao risco das novas relações é o desgaste natural, a preguiça de se atirar ao incerto em relações superficiais e efêmeras. Mergulhar em pessoas rasas.

Chega um momento na vida que o beijo na balada é muito mais pra preencher o tempo e se classificar numa competição disfarçada cujo sucesso é ter alguém pra sair no fim da festa. O beijo já não requer conquista e os rituais de sedução são cada vez mais ridículos, o sexo causal já não traz mais prazer existencial, a transa é puramente carnal e sem envolvimento, sem entrega.

Dizem que é uma fase, os mais otimistas falam sobre o ímpeto da maturidade, mas o fato é que nos programamos para isso, para uma era em que o vazio ocupa um lugar imenso e nos perdemos tanto de nós mesmos que vivemos procurando metades que nos completem.

Não é mais o medo de sofrer ou de se decepcionar, é um instinto de sobrevivência que nos faz nos vestirmos de um “tanto faz”, se der deu, se não der… Talvez seja o medo de dar certo e de começar aquele ritual infinito de conhecer todo mundo na família, o cachorro, a tia que mora em outro estado, encher as redes sociais de fotos felizes, e, quem é que garante que não vai acabar?

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Temos medo de partidas, não das chegadas. Nossos celulares estão abarrotados de “contatinhos” enquanto uma conversa boa é rara. Você dá uma resposta qualquer, diz que vai tomar banho, ajudar uma velhinha atravessar a rua e que já volta, só pra conversa acabar. A gente nega antes mesmo de tentar, se protege, tranca o coração a sete chaves por preguiça. As nossas lições empíricas nos fazem cascudos, mas, sem coragem para o amor.

Não é que não existam pessoas interessantes por aí, elas existem, talvez estejam como nós, criando barreiras e desculpas pra não ir além da conversa de bar, pra não ir fundo em alguém. Continuamos nós, cheios de clichês sobre a coragem de encarar a vida, mas tão covardes pra abrir a porta pro amor que as vezes bate sorrindo. Ensaiamos discursos sobre uma solteirice que mascara fins de noites vazios.

É preciso um tempo de solidão pra se realinhar energeticamente, eu sei, afinal somos a soma de tudo o que vivemos e das pessoas que passam pela nossa vida diariamente. Somos energia. É preciso dar uma pausa, descansar o querer e assumir o protagonismo da nossa história. Mas, a vida é por si só um amontoado de incertezas e uma hora ou outra a gente precisa deixar a zona de conforto, a merdinha quente na qual a gente acha que está protegido.

Uma hora ou outra é necessário deixar o medo de lado e se arriscar. Há de chegar um momento em que a rotina de um coração sem palpitar vai cansar também. Por mais que a gente negue o amor nos faz vivos, o amor nos insiste e ainda que tentemos evitá-lo, uma esquina ou outra vai trombar conosco e não vai nos deixar escapar.

Sobre quão efêmero pode ser, só o tempo pode dizer, o tempo é implacável e silencioso. O amor? O amor é grito de carnaval.

Autor: Giovani Galvan

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