Foto:Faby Varandas
Texto:Fabrício Carpinejar
Eu recebi essa fotografia de uma leitora, é ela segurando a mão de sua avó de 93 anos na véspera de falecer.
Médicos e enfermeiros conhecem essa cena de cor: os dedos estão entrelaçados como um nó. Com muita força. Com uma fé que não permite nenhuma fresta. Não há como a vida escoar dali.
Não são mãos dadas, mas mãos apertadas. Como duas pessoas segurando juntas a pedra invisível e preciosa da amizade.
Parece que tem algo escondido na concha do gesto. Talvez a alma.
É o cumprimento do adeus, o abraço com um só braço, o aceno da paz derradeira, o suspiro da carne.
Naquele momento, o paciente sabe que vai morrer. Não tem como mais esconder a verdade. Compreendeu os seus limites e a decisão do destino. De modo nenhum quer ir embora, porém entende o que significa estar acompanhado durante a passagem. É agradecido por se despedir, por ter essa chance de confiar em alguém e dividir as suas dores.
Reúne toda a motivação possível no meio da doença e da debilidade física para repassar um incentivo à quem fica.
Eu tinha visto a mesma imagem do prefeito Bruno Covas com o seu filho, uma semana antes de sua partida.
As mãos choram: agradecidas, firmes, inseparáveis. É um ato de beleza e de verdade que transcende o nosso entendimento. É como rezar em altíssimo silêncio.
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