Autores

Uma hora a gente aprende a conviver com a dor

Por Giovane Galvan

Eu tenho uma camisa já faz quase uns dez anos, ela não tá nada surrada, é bonitinha, tem um caimento incrível e eu gosto muito dela.

Quem vê não diz que ela é velhinha e já foi testemunha de muitas histórias. No braço direito, aqui perto do ombro ela tem um buraquinho; Essa é mais uma das suas histórias. Já faz um bom tempo eu saia de uma balada e vi uma pessoa sendo espancada, eram dois batendo nele já jogado no chão, sem reação.

Sem pensar muito, munido apenas de coragem, fui lá; Um dos caras ergueu um pedaço de ferro, desviei com um braço, com o outro acertei-lhe o rosto, ele derrubou aquilo que fazia de arma e correu, neste meio tempo o outro rapaz me acertou o braço com uma faca.

Ainda acelerado, ligamos para a emergência e cuidamos de resgatar o individuo que estava ali desacordado. Só depois, quando cheguei em casa percebi a camisa furada, mas ele não havia me acertado. Salvamos uma vida eu presumo.

Eu ainda a uso mesmo depois de tantos anos, olhar pra aquele buraquinho ali me faz lembrar que num ato nenhum pouco racional evitei uma situação mais grave. Se alguém me pergunta, por vezes eu pareço apenas um bom contador de histórias, não tenho nenhum porte de herói.

Leia Também: 7 coisas que você precisa saber sobre namorar uma pessoa de escorpião

A camisa segue ali, sustenta uma cor já pálida, mas sabemos o quanto fomos heroicos. Eu não deixei ela de lado por conta de um pequeno furo, mas também não consertei. Esta ali como uma ferida aberta tal qual todas as outras que carrego no peito. São mágoas, são ausências, negligências, são fraturas expostas em quem já aprendeu a conviver com as despedidas.

As vezes considero que embora minha saúde mental esteja em desordem, as paixões e despedidas são o principal combustível para o escritor que busca inspiração naquilo que absorve empiricamente, naquilo que vive, naquilo que sente. O fato é que é inútil querer se curar, sobretudo com pressa.

É irrelevante buscar esquecer, apagar, deletar. É preciso aprender que você não precisa jogar uma camisa fora por conta de um detalhe, é preciso aprender a sorrir mesmo com as feridas expostas e que volta e meia você tenha que explica-las a alguém.

Nossas feridas são testemunhas de nossa coragem e heroísmo pra lutar por amor. Não é preciso enfrentar a dor, mas, conviver com ela. São nossas cicatrizes que nos tornam únicos.

Bem Mais Mulher

Sobre a inteligência, a força e a beleza feminina.

Share
Published by
Bem Mais Mulher

Recent Posts

Como criar uma rotina noturna saudável para os mais pequenos

Como criar uma rotina noturna saudável para os mais pequenos Uma boa noite de sono…

1 mês ago

Como se preparar para um curso para o INSS: Saiba tudo sobre materiais, apostilas e edital

A busca por estabilidade e boas condições de trabalho faz com que muitos candidatos iniciem…

2 meses ago

Creme para Foliculite: O Que É e Cuidado com a Pele

O creme para foliculite é um produto tópico que conta com antibióticos, antifúngicos ou anti-inflamatórios…

3 meses ago

Psicóloga brasileira transforma vidas e ganha reconhecimento internacional com método que cura relações familiares

Psicóloga brasileira transforma vidas e ganha reconhecimento internacional com método que cura relações familiares Em…

4 meses ago

Ela doou um rim para salvar a vida da chefe. E, semanas depois, foi demitida.

Ela doou um rim para salvar a vida da chefe. E, semanas depois, foi demitida.…

9 meses ago

Casamento vira escândalo: noiva lê provas da traição em frente a todos os convidados

No altar, em vez dos votos… a verdade! Casamentos são feitos para celebrar o amor,…

10 meses ago